sexta-feira, 7 de dezembro de 2007

Control (2007)



Control ( em português "Controle - A História de Ian Curtis" ) conta a estória da banda Joy Division, focado na biografia de Ian Curtis, vocalista e líder da banda.


O roteiro do filme é baseado no livro Touching From a Distance, escrito pela viúva de Ian, Debbie Curtis e, por isso, acaba partindo do ponto de vista da relação do casal. O filme aborda o período da vida de Ian de 17 a 23 anos, começando com o encontro de Debbie e Ian e terminando, inevitavelmente, com o suicídio do vocalista.


O longa mostra a banda desde o começo, quando o Ian Curtis, que já era poeta e fã de David Bowie, vai a um show do Sex Pistols e decide preencher a vaga de vocalista que está disponível na banda de uns amigos.

Ian Curtis viu nos Pistols a desmitificação da figura do músico pop star e passou a acreditar que ele poderia ter uma banda sem precisar ser ídolo.
A Joy Division, que durou pouco mais de três anos, é mostrada em todas as fases: a contratação do manager, a mudança do nome (de Warsaw, referência à música Warszawa do Bowie, a Joy Division que era o nome de um puteiro nazista da segunda guerra), o contrato com a gravadora Factory de Tony Wilson, os primeiros shows e o começo do sucesso, que só se consolidaria totalmente depois do suicídio do vocalista.

O longa mostra também os ataques epiléticos de Ian (às vezes até no palco e, ao contrário de Raul Seixas e Little Richard, eram ataques verdadeiros) e a confusão dele ao se deixar levar pela vida nos palcos e na balada.

Quem não conhece Joy Division vai perceber nas músicas a grande influência que a banda exerceu e exerce até hoje. A música que encerra o filme, Atmosphere, nos faz pensar no que seria de Renato Russo sem Ian Curtis, inspiração declarada de Russo.

A trilha sonora do filme é cheia de bandas da época:

New Order - "Exit"
The Velvet Underground - "What Goes On"
The Killers - "Shadowplay"
Buzzcocks - "Boredom" (live)
Joy Division - "Dead Souls"
Supersister - "She Was Naked"
Iggy Pop - "Sister Midnight"
Joy Division - "Love Will Tear Us Apart"
Sex Pistols - "Problems" (live)
New Order - "Hypnosis"
David Bowie - "Drive-In Saturday"
John Cooper Clarke - "Evidently Chickentown"
Roxy Music - "2HB"
Joy Division - "Transmission"
Kraftwerk - "Autobahn"
Joy Division - "Atmosphere"
David Bowie - "Warszawa"
New Order - "Get Out"


Pra quem não sabe, o New Order, que tá presente na trilha, foi formado pelo resto dos músicos do Joy Division depois da morte do Ian Curtis.


O filme é todo em preto e branco, o que eu acho desnecessário, mas é obrigatório pra qualquer fã e recomendável a qualquer um pelo conteúdo histórico e pela boa atuação do praticamente estreiante Sam Riley como Ian Curtis. O cara consegue imitar direitinho o Curtis no palco, inclusive as danças bizarras que ele fazia e que eram a sua marca registrada.

Coincidentemente, Sam Riley também atuou em outro filme sobre a cena musical inglesa da década de 70, o filme 24 Hour Party People, de 2002. Ele faz uma ponta como Mark E. Smith, vocalista da banda The Fall. No longa também aparecem Ian Curtis (representado por Sean Harris, inicialmente cotado para repetir o papel em Control) e sua banda Joy Division. O filme narra a participação de Tony Wilson (Steve Coogan), dono da gravadora Factory e do club The Hacienda, como o pivô da cena musical em Manchester.
(Steve Coogan e Tony Wilson)

Wilson, que na época também apresentava um programa de TV sobre música, morreu recentemente. Ele tinha cancêr nos rins e não tinha dinheiro pra bancar o tratamento. Quem o ajudou a bancar o remédio, que custava 3.500 Libras por mês, foram os seus amigos da indústria musical. Mesmo assim, ele teve complicações da doença e morreu. Tony dizia que nessa indústria alguns ficavam ricos enquanto outros faziam história. Ele ficou com a segunda opção.

Trailer de Control no Youtube;

Link para Control
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Link para 24 hour party people
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P.s.: Esse post é dedicado ao amigo Cacá, que me apresentou o Joy Division em fitinha K7, em uma acampamento em Maromba, nos idos de noventa e poucos.

Um comentário:

Lado disse...

Olá!
Adoro Joy Division, os poemas de Ian curtis e o idealismo de Tony Wilson.
Gostei muito do teu post.
Abraços de Portugal.
Pedro